Migrou do Simples Nacional para o Lucro Presumido? Guia prático de parametrização fiscal no Inteligence ERP

Quando a empresa sai do Simples Nacional e vai para o Lucro Presumido, o erro mais comum é manter o cadastro fiscal “com cara de Simples”. Isso gera desde precificação errada até inconsistência em relatórios e emissão de documentos. Neste guia, você vai ver como ajustar cadastro de produtos e lançamentos de entrada/saída no Inteligence ERP.

Resumo rápido (o que muda na prática)

  • No Simples você usa CSOSN. Fora do Simples, você usa CST (ICMS).
  • CSOSN 101 → CST 00 (tributação normal / integral)
  • CSOSN 500 → CST 60 (ICMS-ST já recolhido anteriormente)
  • ICMS no cadastro do produto: sair da “alíquota do Simples” e usar 20% (padrão definido)
  • Impostos federais (referência no produto): 5,93%
  • PIS/COFINS: CST 01 nas vendas e CST 50 nas entradas (com observação sobre crédito)


1) ICMS: trocando CSOSN (Simples) por CST (regime normal)

Ao migrar para o Lucro Presumido, CSOSN deixa de ser usado (pois é exclusivo do Simples). A partir daí, a empresa passa a trabalhar com CST do ICMS, conforme o cenário de tributação do item.

Mapa de conversão mais comum

Como era no SimplesComo fica no PresumidoQuando usar
CSOSN 101 CST 00 Produto tributável normal (ICMS integral)
CSOSN 500 CST 60 Produto com ICMS-ST já recolhido anteriormente

Dica prática: a lógica é simples:
101 → 00 (tributado normal) e 500 → 60 (ST já retido).


2) Alíquotas no cadastro do produto: ICMS 20% e Federais 5,93%

ICMS: por que ajustar agora?

No Simples, muitos cadastros carregam uma “alíquota do Simples” como referência. No Lucro Presumido, isso costuma dar ruim porque o ERP passa a precisar de uma referência mais realista para:

  • precificação e margem
  • relatórios de carga tributária
  • coerência na emissão
  • auditoria e conferência fiscal

Por isso, no padrão adotado aqui, a orientação é: produto tributável → ICMS 20%.

Federais: por que 5,93%?

O 5,93% entra como uma referência de gestão para carga federal no cadastro do produto. Não é uma “lei fixa” pra todo cenário, mas ajuda muito em controle interno e análise de custos.

Observação importante: se sua operação tiver exceções por UF, NCM ou benefícios fiscais, valide os grupos com o contador. Aqui estamos falando do padrão operacional (ICMS 20% + Federais 5,93%).


3) PIS/COFINS: padronização (01 nas vendas e 50 nas entradas)

Em muitos cadastros antigos, é comum encontrar CST 49 ou CST 99 para PIS e COFINS, geralmente por “herança” de parametrizações genéricas. O problema é que isso enfraquece a rastreabilidade e atrapalha a leitura fiscal e relatórios.

Como fica o padrão recomendado

✅ Vendas (saídas): CST 01

Para vendas, a orientação é: PIS CST 01 e COFINS CST 01 como padrão de produto (venda tributada).

✅ Entradas (compras): CST 50

Para entradas, a orientação é: PIS CST 50 e COFINS CST 50 ao lançar notas de compras.

Mas atenção (ponto-chave do guia):
Mesmo no Lucro Presumido, a empresa pode registrar entradas com CST 50 para manter o histórico “organizado e pronto” para um dia simular apuração, migrar para Lucro Real ou reprocessar base.

Isso não significa que a contabilidade está aproveitando o crédito agora. No seu cenário, a contabilidade não aproveita crédito nas entradas — mas o registro fica correto e rastreável caso precise no futuro.

Alternativa (se o contador preferir “cumulativo raiz”)

Se o contador preferir não classificar compras como CST 50 para evitar interpretação de crédito, dá para usar um CST de “sem crédito” e manter a organização por relatórios internos. O importante é manter um padrão consistente e auditável.


4) Como aplicar no Inteligence ERP (passo a passo)

Passo A — Revisar cadastro dos produtos

  1. ICMS (CST)
    • Se era CSOSN 101, ajustar para CST 00
    • Se era CSOSN 500, ajustar para CST 60
  2. Alíquota de ICMS
    • Produto tributável: 20% (padrão definido)
  3. PIS/COFINS no produto (padrão de venda)
    • PIS CST 01
    • COFINS CST 01
  4. Impostos Federais (referência de gestão)
    • 5,93%

Passo B — Entradas (compras)

Ao lançar nota fiscal de compra (entrada):

  • PIS CST 50
  • COFINS CST 50

Importante: mantenha o ERP parametrizado para registrar corretamente esses CSTs, mas respeitando a decisão contábil do Presumido (ou seja, sem apropriar crédito na apuração atual, se este for o seu cenário).


5) Checklist de validação (não pule)

Depois de ajustar, rode estes testes simples:

  • Teste 1: venda com produto CST 00 (confere emissão e relatórios)
  • Teste 2: venda com produto CST 60 (ST já retida)
  • Teste 3: entrada com PIS/COFINS CST 50 (confere registro sem apropriação indevida)

6) Erros mais comuns após a migração

  • Manter CSOSN no cadastro mesmo estando fora do Simples
  • Continuar usando “alíquota do Simples” no ICMS do produto e bagunçar margem/precificação
  • Deixar PIS/COFINS em 49/99 sem critério e perder rastreabilidade
  • Não testar emissão com um item tributável (CST 00) e um item com ST (CST 60)

Recomendação da Inteligence

Migrar de regime não é só “trocar a guia do imposto”. O cadastro fiscal precisa acompanhar. Se você quiser, a equipe da Inteligence pode ajudar a aplicar esse padrão por etapas:

  1. Ajuste em lote: 101→00 e 500→60
  2. Revisão por grupo: ST / tributado / exceções por UF
  3. Validação com contador: “sem crédito agora” x “histórico preparado”

Quer que a gente revise seu cenário?
Fale com o suporte da Inteligence e informe: regime atual, UF principal de operação e grupos de produtos (tributados e ST).

Nota: Este conteúdo é um guia de orientação e padronização operacional no ERP. Regras fiscais podem variar por UF, NCM e enquadramentos específicos. Sempre valide exceções com sua contabilidade.