Fornecedores habilitados no RECOF: CFOPs de entrada, lançamentos de ICMS, PIS e COFINS e impactos para o comprador
   

Fornecedores habilitados no RECOF: CFOPs de entrada, lançamentos de ICMS, PIS e COFINS e impactos para o comprador

Fornecedores habilitados no RECOF: CFOPs de entrada, lançamentos de ICMS, PIS e COFINS e impactos para o comprador

Publicado por Inteligence Gestão Empresarial

O que é o RECOF

O RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) é um regime da Receita Federal que permite a empresas habilitadas importar ou adquirir insumos com suspensão de tributos federais (como II, IPI, PIS e COFINS), para uso em processos industriais voltados à exportação e também ao mercado interno, sob rígido controle informatizado.

Em linhas gerais, o RECOF moderniza e amplia a agilidade em relação ao regime de drawback, mantendo rastreabilidade das entradas, do consumo e das saídas. A suspensão não elimina a incidência tributária definitiva; ela a posterga ou a direciona conforme o destino.

Por que as empresas aderem ao RECOF

  • Eficiência de caixa: suspensão temporária de tributos federais na aquisição de insumos;
  • Agilidade operacional: menor burocracia no fluxo de importação e produção;
  • Rastreabilidade: controle informatizado de estoques, desperdícios, perdas e destinações;
  • Competitividade: redução de custos e prazos ao longo da cadeia.
Observação importante: a habilitação no RECOF altera a natureza fiscal na origem (fornecedor), mas o comprador também precisa refletir corretamente essa natureza na entrada, principalmente quanto a CFOP e CST.

Novos CFOPs de saída informados por fornecedores RECOF

Fornecedores habilitados no RECOF vêm adotando a seguinte migração de CFOP nas notas de venda:

CFOP AtualNovo CFOPDescrição resumida
5101 5129 Venda de produção do estabelecimento com suspensão de tributos (mercado interno, mesmo estado)
6101 6129 Venda de produção do estabelecimento com suspensão de tributos (interestadual)
7101 7129 Venda de produção do estabelecimento com suspensão de tributos (exterior)

CFOPs de entrada que o comprador deve utilizar

O CFOP de entrada deve espelhar o CFOP de saída do fornecedor, respeitando a origem da operação:

Saída do fornecedorEntrada do compradorOrigemDescrição
5129 1129 Interna Compra para comercialização com suspensão de tributos (mesmo estado)
6129 2129 Interestadual Compra para comercialização com suspensão de tributos (outro estado)
7129 3129 Exterior Compra para comercialização com suspensão de tributos (importação)
Regra prática: o primeiro dígito do CFOP indica a origem para quem compra: 1 (interna), 2 (interestadual), 3 (exterior).

Como lançar no ERP e nas obrigações fiscais

ICMS

  • Base e valor do ICMS: zerados na entrada quando caracterizada a suspensão;
  • CST ICMS: em geral, utilizar código de suspensão/isenta/não tributada (ex.: 40), conforme legislação estadual e parametrização do ERP;
  • Informações complementares: registrar referência à operação sob suspensão e ao RECOF do fornecedor (quando aplicável).

PIS e COFINS

  • Natureza: a venda sob RECOF tem suspensão para o fornecedor; o comprador deve refletir aquisição com suspensão;
  • CST de entrada: utilizar códigos de suspensão (ex.: 70 para PIS e 70 para COFINS, quando aplicável ao seu regime);
  • Crédito: não gerar crédito de PIS/COFINS na entrada, pois a contribuição está suspensa na origem;
  • Base de cálculo: informativa/zerada conforme layout do ERP e da EFD Contribuições.
Parâmetros recomendados (entrada)
CFOP 1129 CFOP 2129 CFOP 3129

ICMS: CST 40 (isenta/suspensa).
PIS/COFINS: CST 70 (suspensão), sem crédito.
Contabilidade
Classificar o custo normalmente (estoque/CMV). Tributos federais suspensos não compõem despesas recuperáveis; observar notas explicativas quando houver consumo industrial sob regime.

Impactos e cuidados para quem compra

  • Documental: o impacto é principalmente de natureza documental e de parametrização, não de preço imediato;
  • SEFAZ e recepção: utilizar o CFOP correto para evitar bloqueios, rejeições ou inconsistências de escrituração;
  • SPED Fiscal e EFD Contribuições: a codificação correta evita glosas, cruzamentos inconsistentes e questionamentos;
  • Auditoria: manter trilha das compras de fornecedores RECOF, com CSTs, CFOPs e observações padronizadas.

Checklist de implementação no ERP

  • Atualizar tabela de CFOP com 1129/2129/3129 e descrições;
  • Revisar CST de ICMS e PIS/COFINS para cenários de suspensão;
  • Criar regra de mapeamento automático pelo CFOP de saída do XML do fornecedor;
  • Adequar relatórios e validações do SPED Fiscal e EFD Contribuições;
  • Treinar equipe de recebimento e fiscal para a nova rotina.

Resumo técnico

CampoConfiguração recomendada (entrada)
CFOP (interna) 1129
CFOP (interestadual) 2129
CFOP (exterior) 3129
CST ICMS 40 (isenta/suspensa), conforme legislação estadual
CST PIS 70 (suspensão), sem crédito
CST COFINS 70 (suspensão), sem crédito
Base ICMS / PIS / COFINS Zeradas ou informativas, de acordo com layout e validações
Observações Mencionar operação sob RECOF e referência do fornecedor, quando aplicável

Nota: a adoção de CST e detalhamento pode variar por UF e regime de apuração. Consulte sua legislação estadual e a EFD Contribuições para adequar códigos específicos, mantendo a coerência com o XML do fornecedor e com os manuais do SPED.

Dica Inteligence: utilize o módulo de Classificação Fiscal Automática para parametrizar regras por fornecedor e CFOP, reduzindo erros de lançamento e garantindo conformidade no SPED Fiscal e na EFD Contribuições.

Comentários

Faça o login ou registre-se para postar comentários