E a Reforma Tributária: quem vai colocá-la em prática de fato?
Muito se fala sobre a Reforma Tributária do Consumo, sobre IBS, CBS, créditos tributários, novas alíquotas, documentos fiscais, classificação tributária e o período de transição.
Mas existe uma pergunta que talvez seja ainda mais importante para as empresas:
Quem vai colocar tudo isso em prática de fato?
A legislação cria as regras.
O governo regulamenta.
A Receita Federal e o Comitê Gestor estabelecem procedimentos.
O contador interpreta e orienta.
O software automatiza.
Mas, no dia a dia, a Reforma Tributária acontecerá dentro das empresas.
E é justamente aí que começa um dos maiores desafios da transição.
A Reforma não pertence somente ao departamento fiscal
Um dos maiores erros que uma empresa pode cometer neste momento é imaginar que a Reforma Tributária seja simplesmente uma mudança de impostos que ficará sob responsabilidade da contabilidade.
Não será.
Quando IBS e CBS passam a interferir na forma de comprar, vender, aproveitar créditos, formar preços e analisar margens, a mudança atravessa praticamente toda a operação.
Compras precisará entender melhor de quem comprar e quais créditos determinada operação poderá gerar.
Vendas precisará compreender como a tributação influencia o preço final e a negociação com o cliente.
Financeiro precisará acompanhar o impacto dos novos tributos no fluxo de caixa.
Fiscal e contabilidade terão que interpretar e validar as novas regras.
Cadastro de produtos passa a assumir importância ainda maior, porque uma classificação incorreta poderá resultar em tributação incorreta.
Gestores e empresários precisarão compreender os números para tomar decisões.
E a tecnologia, principalmente o ERP, será responsável por conectar boa parte dessas informações.
Então, quem executará a Reforma Tributária?
A resposta é simples:
todo mundo.
Cada um dentro da sua responsabilidade.
A Reforma Tributária será executada por uma combinação de:
Pessoas + Processos + Contabilidade + Gestão + Tecnologia.
Não adianta possuir um excelente contador se as informações que chegam até ele estiverem erradas.
Também não adianta possuir um excelente ERP se os produtos estiverem cadastrados ou classificados incorretamente.
Da mesma forma, não adianta ter todas as informações corretas se o empresário continuar formando preços utilizando a mesma lógica tributária que utilizava antes da Reforma.
É uma corrente.
E um erro em uma das etapas pode contaminar todas as demais.
O cadastro de produtos deixa de ser apenas cadastro
Esse talvez seja um dos pontos que muitos empresários ainda não perceberam.
Durante muito tempo, cadastrar um produto significava basicamente informar descrição, código de barras, NCM, preço, custo, unidade e algumas informações fiscais.
Com a Reforma Tributária, a qualidade desse cadastro passa a ter influência direta sobre toda a cadeia tributária.
Classificação tributária, incidência de IBS e CBS, reduções, tratamentos diferenciados, créditos e demais regras precisam estar corretamente relacionadas à operação.
Isso significa que aquele funcionário responsável pelo cadastro, que muitas vezes nem participava das discussões tributárias da empresa, passa a fazer parte da execução da Reforma.
Uma decisão aparentemente simples no cadastro poderá gerar consequências fiscais, financeiras e comerciais.
O setor de compras também terá uma nova responsabilidade
Comprar pelo menor preço continuará sendo importante.
Mas poderá não ser suficiente.
Imagine dois fornecedores oferecendo aparentemente o mesmo produto por preços semelhantes.
Dependendo da operação, da tributação e do direito ao crédito, o custo efetivo daquela mercadoria para a empresa poderá ser diferente.
Por isso, progressivamente, o comprador precisará aprender a olhar não apenas para:
Preço de compra.
Mas também para:
Preço de compra – créditos aproveitáveis = custo efetivo da operação.
Isso muda a negociação.
E muda também a informação que o ERP precisa entregar ao comprador.
E quem forma o preço de venda?
Aqui existe outro grande desafio.
Se a tributação muda, o custo muda e os créditos mudam, a formação do preço também precisa mudar.
Simplesmente repetir a margem percentual utilizada atualmente poderá produzir resultados diferentes.
Em determinadas situações, o preço poderá parecer maior enquanto a margem real diminui.
Em outras, um produto poderá ter redução do custo tributário, mas isso não significa automaticamente que toda essa redução possa ser transformada em desconto sem antes analisar a margem da operação.
O empresário precisará enxergar claramente:
quanto pagou pelo produto;
quanto daquele valor gerou crédito;
qual foi o custo efetivo;
por quanto vendeu;
quanto gerou de débito tributário;
quanto efetivamente sobrou da operação.
É aqui que gestão, contabilidade e ERP precisam falar a mesma língua.
O contador continuará fundamental — mas não poderá executar tudo sozinho
O contador terá papel extremamente importante durante a transição.
Será responsável por interpretar legislação, acompanhar regulamentações, orientar clientes, revisar enquadramentos e analisar os impactos tributários.
Entretanto, existe uma limitação prática:
o contador não está dentro da empresa executando cada venda, compra, cadastro ou negociação.
Por isso, a Reforma Tributária exigirá uma aproximação ainda maior entre:
Empresa + Contabilidade + Software.
O contador orienta a regra.
A empresa executa a operação.
O ERP precisa transformar essa regra em processo.
Quando essas três partes trabalham isoladamente, aumenta o risco de erro.
Quando trabalham integradas, a Reforma deixa de ser apenas uma obrigação e pode se transformar em instrumento de gestão.
O ERP passa a ocupar o centro dessa transformação
Se praticamente todas essas operações passam pelo sistema, o ERP deixa de ser apenas uma ferramenta para emitir notas fiscais.
Ele precisa ser uma plataforma capaz de transformar regras tributárias em processos operacionais.
No iERP, da Inteligence Gestão Empresarial, estamos tratando a Reforma Tributária exatamente dessa maneira.
Não apenas como uma alteração no XML da NF-e ou NFC-e.
A mudança precisa chegar à:
-
classificação dos produtos;
-
parametrização tributária;
-
entrada das mercadorias;
-
análise dos documentos dos fornecedores;
-
apropriação dos créditos;
-
formação de preços;
-
faturamento;
-
documentos fiscais;
-
financeiro;
-
estoque;
-
relatórios gerenciais;
-
análise de margens;
-
apuração;
-
e tomada de decisão.
O objetivo é fazer com que a informação tributária deixe de ficar isolada no departamento fiscal e passe a fazer parte da gestão da empresa.
2026 é o momento de preparar as pessoas
Existe ainda outro ponto que merece atenção.
Não basta atualizar o software. É necessário atualizar as pessoas.
O funcionário que cadastra produtos precisa entender por que determinadas informações se tornaram importantes.
O comprador precisa compreender créditos.
O vendedor precisa entender os impactos na formação do preço.
O financeiro precisa conhecer os efeitos no caixa.
O gestor precisa aprender a interpretar os novos indicadores.
E o contador precisa estar cada vez mais integrado ao processo operacional da empresa.
A Reforma Tributária também será um enorme projeto de capacitação profissional.
Empresas que começarem esse processo antes terão mais tempo para testar, corrigir cadastros, rever procedimentos e capacitar suas equipes.
A Reforma Tributária não começa quando o imposto vence
Esse talvez seja o principal alerta.
Muitos empresários estão esperando a Reforma chegar ao departamento fiscal.
Mas, quando o imposto chegar para ser apurado, a operação já aconteceu.
O produto já foi comprado.
A nota já foi lançada.
O crédito já foi identificado — ou perdido.
O produto já foi cadastrado.
O preço já foi formado.
A mercadoria já foi vendida.
O documento fiscal já foi emitido.
Por isso, a Reforma precisa começar antes da apuração.
Ela começa no cadastro.
Passa pela compra.
Chega ao estoque.
Interfere no preço.
Participa da venda.
Gera o documento fiscal.
Movimenta o financeiro.
E somente depois chega à apuração.
A tecnologia automatiza. Mas alguém precisa tomar as decisões.
Inteligência artificial, automações e sistemas de gestão terão um papel enorme nessa transformação.
Boa parte das tarefas poderá ser automatizada.
O ERP poderá alertar inconsistências, sugerir classificações, identificar diferenças tributárias, analisar documentos e demonstrar impactos.
Mas continuará existindo uma responsabilidade humana.
Alguém precisa decidir.
O sistema pode mostrar que determinado fornecedor apresenta uma condição tributária mais vantajosa.
Mas alguém precisa negociar.
Pode demonstrar que a margem caiu.
Mas alguém precisa redefinir o preço.
Pode identificar uma classificação suspeita.
Mas alguém precisa validar.
Pode mostrar o impacto financeiro da tributação.
Mas alguém precisa decidir qual caminho seguir.
Por isso, tecnologia não substitui gestão.
Tecnologia aumenta a capacidade da gestão.
Afinal, quem vai colocar a Reforma Tributária em prática?
A resposta não está em uma única profissão ou departamento.
Será o empresário.
Será o contador.
Será o comprador.
Será o responsável pelo cadastro.
Será o vendedor.
Será o financeiro.
Será o departamento fiscal.
Será a equipe de tecnologia.
Será o ERP.
Cada um executando uma parte de uma transformação que atravessará toda a empresa.
Por isso, talvez a pergunta mais importante que o empresário deva fazer neste momento não seja somente:
“Qual será minha alíquota de IBS e CBS?”
A pergunta deveria ser:
“Minha empresa, minha equipe, minha contabilidade e meu ERP estão preparados para colocar a Reforma Tributária em prática?”
Porque conhecer a legislação será importante.
Entender os novos impostos será fundamental.
Mas existe uma diferença enorme entre conhecer a Reforma Tributária e conseguir executá-la corretamente dentro de uma empresa.
E é justamente nessa execução que estarão alguns dos maiores desafios dos próximos anos.
Inteligence Gestão Empresarial
Tecnologia, gestão e informação preparando empresas para a nova realidade tributária brasileira.